{"id":34,"date":"2019-02-15T16:56:00","date_gmt":"2019-02-15T18:56:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2020-09-24T15:58:29","modified_gmt":"2020-09-24T18:58:29","slug":"am-pico-da-neblina-yaripo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/?p=34","title":{"rendered":"Pico da Neblina (Yaripo) &#8211; AM"},"content":{"rendered":"<h2>Nos bra\u00e7os do vento<\/h2>\n<h3>Dois amigos montanhistas e pilotos de parapente realizam dois feitos in\u00e9ditos na montanha mais alta do Brasil.<\/h3>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Decolagem2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Decolagem2-300x169.jpg\" width=\"640\" height=\"360\" border=\"0\" data-original-height=\"900\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><\/div>\n<p>Pensar em uma aventura in\u00e9dita no s\u00e9culo 21 \u00e9 um desafio. Quase tudo que pode desafiar os limites j\u00e1 foi realizado. Mas sempre tem algu\u00e9m buscando ser pioneiro em algo grandioso e foi isso que moveu os paulistas Leandro \u201cMontoya\u201d Estevam e Myka Will, experientes montanhistas e pilotos de parapente. Em janeiro deste ano eles se tornaram os primeiros a voar de parapente do ponto mais alto do Brasil e tamb\u00e9m de montar o slackline mais alto do Pa\u00eds. Para conseguir esse feito eles primeiro tiveram de enfrentar o maior de todos os desafios: a autoriza\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>O Parque Nacional do Pico da Neblina, que abriga 13 povos ind\u00edgenas e a montanha mais alta do Brasil, em plena floresta amaz\u00f4nica, est\u00e1 fechado para visita\u00e7\u00e3o de turistas desde 2002, em fun\u00e7\u00e3o de conflitos com garimpeiros de ouro. Uma tristeza para os montanhistas brasileiros e estrangeiros que sonhavam em escalar o Pico da Neblina, com 2.994m de altitude. Eram permitidas apenas expedi\u00e7\u00f5es militares e cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Para conseguir realizar esse desafio foram necess\u00e1rios seis meses de prepara\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de autoriza\u00e7\u00f5es especiais. Tudo come\u00e7ou com o engajamento dos \u00edndios Yanomamis, que criaram um programa batizado de Yaripo \u2013 Ecoturismo Yanomami. Yaripo \u00e9 o nome dado ao Pico da Neblina pelo povo local e significa Montanha do Vento.<\/p>\n<p>\u2013 Nossa aventura serviu como uma esp\u00e9cie de bal\u00e3o de ensaio para a reabertura do Pico da Neblina ao turismo ainda em 2019 \u2013 explicou Leandro Montoya, 38 anos, gerente de neg\u00f3cios durante a semana, escalador e piloto de parapente nos fins de semana. Segundo ele, o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o e Biodiversidade (ICMBio) apresentou \u00e0 Funai o Plano de Visita\u00e7\u00e3o Yaripo que espera trazer vantagens sociais, ambientais e econ\u00f4micas \u00e0 regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Os verdadeiros protagonistas do projeto Yaripo, s\u00e3o os Yanomami, que come\u00e7aram essa iniciativa h\u00e1 mais de sete anos e prev\u00ea expedi\u00e7\u00f5es formadas e guiadas pelos eles, gerando renda e visibilidade para a etnia. Os Yanomami conseguiram apoio da AYRCA (Associa\u00e7\u00e3o Yanomami do Rio Cauaburis), ICMBio, FUNAI (Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio), ISA (Instituto S\u00f3cio Ambiental) e outras entidades. Receberam forma\u00e7\u00e3o em ecoturismo e est\u00e3o prontos para atender os visitantes. De acordo com o guia Beto G\u00f3es Yanomami, o \u201cGol\u201d, \u201co projeto Yaripo pretende valorizar nossa cultura e proteger o meio ambiente de forma sustent\u00e1vel e inteligente\u201d.<\/p>\n<h3>Barco, 4X4, caminhada&#8230;<\/h3>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/1.bp.blogspot.com\/-oIrbB3-CMW4\/XGcVd3HIUWI\/AAAAAAAACRs\/y3lgzK9XOTEAci42z4jZIWCGsM3jS_3GwCEwYBhgL\/s1600\/Plato%2Be%2BPico%2Bda%2BNeblina1.HEIC\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Plato-2Be-2BPico-2Bda-2BNeblina1-300x225.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"1200\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Plato a aproximadamanente 2.000m de altitude, ao fundo o Pico da Neblina (Yaripo)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O Pico da Neblina est\u00e1 bem perto da fronteira com a Venezuela, na Serra do Imeri, no seio da Floresta Amaz\u00f4nica, um pouco acima da linha do Equador no Estado do Amazonas. A Serra do Imeri \u00e9 um grande maci\u00e7o formado por um plat\u00f4 central cercado por uma coroa de picos mais altos. O Pico da Neblina com 2.994m e o Pico 31 de Mar\u00e7o, s\u00e3o os mais altos da serra.<\/p>\n<p>Como parte do projeto de explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel, os Yanomami v\u00eam realizando expedi\u00e7\u00f5es experimentais do projeto Yaripo e melhorando a infraestrutura para visita\u00e7\u00e3o. Por exemplo, conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o para a instala\u00e7\u00e3o de degraus de apoio nos pontos mais verticais da escalada, j\u00e1 pr\u00f3ximo ao cume e a instala\u00e7\u00e3o de uma antena de r\u00e1dio que permite a comunica\u00e7\u00e3o com a comunidade de Maturac\u00e1.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o experimental MYKA foi realizada em janeiro de 2019, seguiu as especifica\u00e7\u00f5es do projeto Yaripo, no que diz respeito a infraestrutura e roteiro, e serviu de experi\u00eancia e inspira\u00e7\u00e3o para futuros aventureiros que visitarem o parque ap\u00f3s a abertura.<\/p>\n<p>Mais do que simplesmente escalar at\u00e9 o cume,&nbsp; essa expedi\u00e7\u00e3o culminou com a primeira decolagem de parapente e linha de slackline na montanha mais alta do Brasil, por\u00e9m estas atividades foram realizadas em car\u00e1ter de experi\u00eancia e ainda n\u00e3o fazem parte do projeto original.<\/p>\n<p>Para alcan\u00e7ar o objetivo foi formada uma equipe com sete membros: os paulistas Myka e Montoya, montanhistas e pilotos de parapente. Tr\u00eas Yanomami: o guia Beto \u201cGol\u201d e os portadores Francisco e Am\u00e2ncio; e dois moradores de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira: Branco \u201cShock\u201d, o cozinheiro e respons\u00e1vel pela log\u00edstica e Hamyla, enfermeira das comunidades ind\u00edgenas, de etnia Bar\u00e9.<\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Membros-2BExpedicao-2B1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Membros-2BExpedicao-2B1-300x225.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"720\" data-original-width=\"960\"><\/a><\/div>\n<p>Essa expedi\u00e7\u00e3o ao Pico da Neblina, ou Yaripo, nos moldes do projeto, seguiu um roteiro programado para dez dias, com o seguinte cronograma:<\/p>\n<p>Dia1 \u2013 De S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM) para Aldeia de Maturac\u00e1, em ve\u00edculos 4&#215;4 e lanchas \u201cvoadeiras\u201d.<br \/>\nDia2 \u2013 De Maturac\u00e1 at\u00e9 Foz do Tucano, em lanchas voadeiras. Ponto onde atraca o barco e inicia a caminhada.<br \/>\nDias 3, 4 e 5 \u2013 Caminhada na mata amaz\u00f4nica, partindo de 100m para 2.000m, chegando ao acampamento base no plat\u00f4 do Pico da Neblina.<br \/>\nDia 6 \u2013 Ataque ao Cume e retorno ao acampamento base.<br \/>\nDia 7, 8 e 9 \u2013 Caminhada de volta a Foz do Tucano para pegar a \u201cvoadeira\u201d e chegar em Maturac\u00e1<br \/>\nDia 10 \u2013 Retorno de Maturac\u00e1 para S\u00e3o Gabriel da Cachoeira.<\/p>\n<p>Como essa primeira expedi\u00e7\u00e3o experimental previa o encerramento em grande estilo, com o voo de parapente, a Expedi\u00e7\u00e3o Myka foi um pouco diferente, com duas noites no cume para aumentar as chances de encontrar tempo bom para o voo.<\/p>\n<h3>Sobe, sobe e sobe mais<\/h3>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-D-TOURaNYlQ\/XGcVfTvQurI\/AAAAAAAACRk\/lURi-cZLEwYtltuSWL9z07JglsxlEP7GgCEwYBhgL\/s1600\/Serra%2Bdo%2BImeri2.HEIC\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Serra-2Bdo-2BImeri2-300x225.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"1200\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Caminhada at\u00e9 o cume do Pico da Neblina<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Esque\u00e7a os acampamentos \u201cdomesticados\u201d. Na Amaz\u00f4nia toda a estrutura \u00e9 mais roots e pensada em proteger da chuva, mosquitos e v\u00e1rias esp\u00e9cies pe\u00e7onhentas. S\u00e3o usadas estacas de madeira, nas quais se armam redes e uma jirau para isolar da umidade. Para completar \u00e9 estendida uma lona que funciona como telhado de duas \u00e1guas por cima das redes. Fica parecendo algo como uma casa sem paredes. Quase todos os acampamentos t\u00eam espa\u00e7o suficiente para armar barracas, caso o turista n\u00e3o seja adepto das redes.<\/p>\n<p>A caminhada at\u00e9 a base do Pico da Neblina leva de seis a oito horas por dia para cumprir entre 11km e 13km, dentro de ambiente bastante \u00famido e quente, at\u00e9 com relativamente poucos insetos. O ch\u00e3o \u00e9 escorregadio, composto por folhas acumuladas por cima de ra\u00edzes e quase n\u00e3o se v\u00ea o sol por conta das grandes \u00e1rvores. Nesta jornada esperava-se muita chuva, mas ela apareceu mais \u00e0 noite, deixando as caminhadas um pouco mais secas e menos cansativas.<\/p>\n<p>Para repor as energias, a alimenta\u00e7\u00e3o ficou toda a cargo do cozinheiro Branco \u201cShock\u201d e contou com feij\u00e3o, arroz, charque, lingui\u00e7a e, n\u00e3o podia falta, farinha, tudo acompanhado de refresco. Como norma de seguran\u00e7a e evitar inc\u00eandios acidentais, s\u00e3o usados fogareiros ou mesmo fogueira, mas sempre com orienta\u00e7\u00e3o dos guias. J\u00e1 a higiene \u00e9 feita nos igarap\u00e9s, as vezes em pocinhos maiores, na base do banho de caneca.<\/p>\n<table style=\"float: right; margin-left: 1em; text-align: right;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Campo-2BBase-2Be-2BPico-2Bda-2BNeblina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Campo-2BBase-2Be-2BPico-2Bda-2BNeblina-225x300.jpg\" width=\"300\" height=\"400\" border=\"0\" data-original-height=\"1600\" data-original-width=\"1200\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Acampamento Base do Pico da Neblina<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>O cen\u00e1rio muda bastante quando se chega ao plat\u00f4: a temperatura cai muito, as \u00e1rvores ficam bem menores, caminha-se sobre pedras e lama funda e mole com muitas brom\u00e9lias. Diferentemente dos campos de altitude da Serra da Mantiqueira, o plat\u00f4 tem muita umidade proveniente da floresta amaz\u00f4nica e conta com palmeiras e \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Essa caminhada termina no acampamento base no plat\u00f4, j\u00e1 a aproximadamente 2.100m de altitude, a oeste do Pico da Neblina, bem perto da rota de ataque final ao cume. Neste acampamento base n\u00e3o tem espa\u00e7o para barracas, apenas para redes, e foi posicionado para que os turistas possam sair dali, atacar o cume sem peso e voltar no mesmo dia. Um dos lemas dos montanhistas \u00e9: tempo \u00e9 seguran\u00e7a. \u00c9 importante estar leve e r\u00e1pido.<\/p>\n<p>O ataque ao cume \u00e9 uma longa jornada partindo dos 2.100m at\u00e9 os 2.994m, que dura de tr\u00eas a cinco horas (dependendo do peso), passando por campos de brom\u00e9lia, charcos e trechos de \u201cescalaminhada\u201d. Montanhistas da regi\u00e3o sudeste instalaram degraus nos pontos de maior exposi\u00e7\u00e3o onde antes haviam cordas, criando uma via ferrata para mais seguran\u00e7a dos visitantes.<\/p>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-WEOjKHE8BMA\/XGcVZkL5yxI\/AAAAAAAACRg\/W2MjGMQ11oowhQ_RbOfDAq6xG_SghJOpACEwYBhgL\/s1600\/Cume1.HEIC\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Cume1-300x225.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" border=\"0\" data-original-height=\"1200\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Cume do Pico da Neblina (Yaripo)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Importante saber que o cume comporta apenas duas a quatro barracas, mas \u00e9 relativamente amplo e abaulado, de modo que o visitante n\u00e3o se sente exposi\u00e7\u00e3o. A leste do cume est\u00e1 a floresta amaz\u00f4nica e a oeste o plat\u00f4; a face leste \u00e9 bastante vertical, com um desn\u00edvel assustador j\u00e1 que a floresta est\u00e1 2.894 metros abaixo do cume!<\/p>\n<h3>Enroscado na decolagem<\/h3>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Decolagem1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Decolagem1-300x168.png\" width=\"640\" height=\"358\" border=\"0\" data-original-height=\"900\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/div>\n<p>O ponto alto \u2013 literalmente \u2013 ainda estava para realizar: a primeira decolagem de parapente da hist\u00f3ria do Pico da Neblina. Para conseguir era preciso encontrar uma condi\u00e7\u00e3o rara de ventos e visibilidade. O nome do pico n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. Boa parte do tempo ele est\u00e1 encoberto e castigado por ventos fortes. Para encontrar as condi\u00e7\u00f5es ideais era preciso acordar bem cedo e ser r\u00e1pido com a opera\u00e7\u00e3o. Tudo deu quase certo, mas&#8230;<\/p>\n<p>A noite que antecedeu o voo foi muito fria e com bastante vento. Na busca por um pouco de conforto Montoya usou seu parapente sobre o saco de dormir para se aquecer dentro da barraca e, sem perceber, embara\u00e7ou muito as linhas. Era tudo que n\u00e3o precisava acontecer.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 seguinte as condi\u00e7\u00f5es estavam perfeitas para o voo livre: vento fraco, poucas nuvens e a decolagem precisava ser feita o mais r\u00e1pido poss\u00edvel antes que as nuvens voltassem a cobrir o cume ou o vento ficasse mais forte, o que pode acontecer em poucos minutos. Mas desembara\u00e7ar as linhas do parapente levaria tempo, especialmente no cume da montanha com pouco espa\u00e7o, vento e vegeta\u00e7\u00e3o enroscando em tudo.<\/p>\n<p>Em um grande ato de altru\u00edsmo Myka ofereceu seu pr\u00f3prio parapente para o Montoya ali mesmo, sob a bandeira mais alta do Brasil, abrindo m\u00e3o de um voo hist\u00f3rico. Montoya aceitou o equipamento do parceiro. Minutos depois o cume foi tomado pelas nuvens.<\/p>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Voando3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Voando3-300x168.png\" width=\"640\" height=\"358\" border=\"0\" data-original-height=\"898\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Voando de parapente sobre a floresta amazonica<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>No dia 9 de janeiro de 2019, \u00e0s 6h40, Leandro Montoya decolou de parapente a partir da face leste, direto sobre o vazio acima floresta amaz\u00f4nica, para realizar um voo de aproximadamente 15 minutos, contornando a montanha pelo sul e pousando no plat\u00f4, a oeste do cume, pr\u00f3ximo ao acampamento base. Esta rota foi escolhida porque n\u00e3o h\u00e1 clareiras para pouso na floresta amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>O pouso foi sobre um campo de brom\u00e9lias, pr\u00f3ximo a Bacia do Gelo, a 2.000m de altitude. Assim que tocou no solo, o piloto Leandro \u201cMontoya\u201d foi recebido com festa pelos portadores Yanomami que ficaram no acampamento base.<\/p>\n<p>Depois do grande gesto de amizade ao ceder o parapente, Myka montou a mais alta linha de slackline nas pedras do cume, batendo o recorde dessa modalidade. Foi montada la\u00e7ando as rochas do cume, sem instala\u00e7\u00e3o de base ou qualquer interven\u00e7\u00e3o artificial.<\/p>\n<table style=\"margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"0\" align=\"center\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\"><a style=\"margin-left: auto; margin-right: auto;\" href=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Slackline1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hikeandfly.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/Slackline1-300x168.png\" width=\"640\" height=\"358\" border=\"0\" data-original-height=\"897\" data-original-width=\"1600\"><\/a><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"text-align: center;\">Myka Sam fez montoy a mandou a linha de slackline mais alta do Brasil, no Pico da Neblina<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Ap\u00f3s muita comemora\u00e7\u00e3o pelos dois feitos, a expedi\u00e7\u00e3o retornou sem surpresas a S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, passando pela aldeia de Maturac\u00e1.<\/p>\n<p>Segundo Leandro Montoya, \u201cuma viagem ao Yaripo \u00e9 muito mais que subir a montanha: \u00e9 passar alguns dias na floresta amaz\u00f4nica, lado a lado com os leg\u00edtimos donos daquela terra, uma viv\u00eancia real com a cultura Yanomami, temperado com uma pitada de escalaminhada em rocha no dia de ataque ao cume\u201d. E completa:&nbsp; \u201ca maior montanha de nosso Pa\u00eds est\u00e1 no seio da maior floresta do mundo e muito bem guardada no cora\u00e7\u00e3o dos homens e mulheres que vivem ali h\u00e1 s\u00e9culos\u201d.<\/p>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><a style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\" href=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-d2blV5LqnVQ\/XGcVcqAlj4I\/AAAAAAAACQ8\/Ko53qKWYrw8LqVWYIsXM8zygCSxJK8fRwCEwYBhgL\/s1600\/IMG_0930.mov\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/3.bp.blogspot.com\/-d2blV5LqnVQ\/XGcVcqAlj4I\/AAAAAAAACQ8\/Ko53qKWYrw8LqVWYIsXM8zygCSxJK8fRwCEwYBhgL\/s640\/IMG_0930.mov\" width=\"640\" height=\"478\" border=\"0\" data-original-height=\"640\" data-original-width=\"854\"><\/a><\/div>\n<p>A partir dessa experi\u00eancia os interessados em visitar, explorar e conhecer o plano de visita\u00e7\u00e3o ao Yaripo, esse importante ponto tur\u00edstico do Brasil, pode fazer as reservas por meio do site da ICMBio (<a href=\"http:\/\/www.icmbio.gov.br\/\">www.icmbio.gov.br<\/a>), que tamb\u00e9m indica os valores. De acordo com os pioneiros dessa aventura, uma viagem desse porte ficaria em torno de R$ 5.000 a R$8.000 por pessoa, sem a passagem a\u00e9rea at\u00e9 Manaus.<\/p>\n<div><\/div>\n<div>FILMES:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>PICO DA NEBLINA 2019 (5min.)<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_987W5g8bN0?feature=player_embedded\" width=\"320\" height=\"266\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-thumbnail-src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/_987W5g8bN0\/0.jpg\"><\/iframe><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>MOHOMIRIWE (16min.)<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"clear: both; text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fUmIPu9_lk8?feature=player_embedded\" width=\"320\" height=\"266\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-thumbnail-src=\"https:\/\/i.ytimg.com\/vi\/fUmIPu9_lk8\/0.jpg\"><\/iframe><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: x-small;\">Texto: Geraldo &#8220;Tite&#8221; Sim\u00f5es<br \/>\nImagens: Beto &#8220;Gol&#8221;, Myka Will, Branco &#8220;Shock&#8221;, Hamyla, Montoya<\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos bra&ccedil;os do vento Dois amigos montanhistas e pilotos de parapente realizam dois feitos in&eacute;ditos na montanha mais alta do Brasil. Pensar em uma aventura in&eacute;dita no s&eacute;culo 21 &eacute; um desafio. Quase tudo que pode&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":97,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[138,137],"tags":[50,53,54,6,47,46,13,21,49,48,15,52,51],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34"}],"collection":[{"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":396,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34\/revisions\/396"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/97"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/hikeandfly.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}